Um pouco de samba no Farol – parte III

por Talita Bartolomeu

 

O maior objetivo em falar desses dois personagens do samba é, primeiro, relembrar daquele que contribuiu para que o samba se fizesse um marco, além de musical, cultural, na história do Brasil: Noel Rosa – um dos precursores e poetas mais ilustres da MPB –; segundo, é mostrar, por meio de outra grande figura, Diogo Nogueira, que o samba bom ainda permanece vivo. Sem fazer comparações, claro, mesmo porque, com Noel Rosa, não se permitem analogias.

 

Noel Rosa: o grande

O mundo me condena

E ninguém tem pena

Falando sempre mal

Do meu nome

Deixando de saber

Se eu vou morrer de sede

Ou se eu vou morrer de fome

Mas a filosofia hoje me auxilia

A viver indiferente, assim

Nessa prontidão sem fim

Eu vou fingindo que sou rico

Pra ninguém zombar de mim

 Filosofia 

Um dos grandes nomes do samba brasileiro: Noel Rosa.

Brasileiro. Sambista. Cantor. Compositor. Bandolinista. Violinista. E, claro, poeta. Um dos maiores símbolos do samba, quiçá da história da música popular brasileira – destaco que foi UM DOS maiores, pois não podemos nos esquecer de outras grandes contribuições ao samba, como Cartola e Pixinguinha, por exemplo. Compôs inúmeras músicas, solo e com amigos. Nasceu no Rio de Janeiro, no bairro Vila Isabel, em 1910.

Esse grande arquiteto do samba, como todas as grandes personalidades da música, da literatura, do cinema e do teatro, viveu pouco, mas deixou seu legado na história, que permanece vivo até hoje. Não era muito ligado aos estudos, porque gostava mesmo era de compor, de cantar, da boemia e das mulheres, dava muito valor, além disso, às coisas simples da vida, chegando a largar, até mesmo, o curso de Medicina.

Noel tem, em seu repertório, uma das músicas mais famosas do samba brasileiro...

 

Eternizado por retratar a realidade de sua época, com tom ora crítico, ora irônico, nosso grande sambista falava sobre o que quisesse e da maneira que quissesse em suas canções, tornando-se inspiração e espelho a outros artistas contemporâneos de sua época e para seus sucessores atuais, tais como Gal Costa, Chico Buarque, João Gilberto, Maria Bethânia, entre outros.

Em seu repertório, constam canções como: Conversa de botequim, Fita amarela, Com que roupa?, Filosofia, São coisas nossas, Mulato bamba, e muiiiitas outras, registrando-se um total de 259. Depois que compôs a primeira, Noel não parou mais e, daí em diante, dedicou sua vida ao samba.

Falar desse gênio, para o qual o samba deve suas maiores congratulações, é sempre um imenso prazer e uma grande honra.

Imagem de Amostra do You Tube

Com que roupa?

 

Um achado no samba atual: Diogo Nogueira

Diogo Nogueira - revelação do samba brasileiro

Dono de uma voz belíssima, esse “menino do samba” anda fazendo o maior sucesso no meio musical; é, atualmente, umas das figuras mais marcantes do cenário sambista, relembra letras de grandes nomes, como as de seu pai, João Nogueira e, também, faz suas próprias composições, dentre as quais a mais conhecida é Samba pros poetas, além de compor enredos de escolas de samba, como a Portela.

Imagem de Amostra do You Tube

Samba pros poetas

Não tem só uma voz belíssima, não é mulheres?

Como filho de peixe peixinho é, Diogo não teve como e nem quis escapar do mundo musical, carregando a lembrança de seu pai e trazendo o frescor da sua juventude para o samba.

Incorporando o tal “malandro”, tão prestigiado por Noel Rosa, e fazendo samba de raiz muito bem, esse menino está no caminho certo e trará contribuições significativas para nossa cultura “sambo-africana”. É isso mesmo: Brasil = mistura da raça negra e do swing do samba.

Contando com ilustríssimas presenças, como a de Chico Buarque, Alcione e Beth Carvalho, Diogo já mostrou que entende de samba e que ainda tem muito o que aprender.

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Diogo Nogueira e Chico Buarque – Sou eu

Malandro?

Acho que sortudo. Cantar com um dos maiores compositores vivos da MPB é para poucos!

Diogo tem, pois, tudo para se tornar um memorável ícone da nossa música. Torçamos para que isso aconteça, já que o nosso queridíssimo ritmo, que é o mais brasileiro de todos, agradece.

Samba é um pouco de tudo: é cultura, é revelação, é arte, é realidade e é alegria. Para fechar minha estreia no Farol, vou mandar mais um sambinha, posso?

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Ô coisinha tão bonitinha do pai

Sincera, tranquila, curiosa, preocupada, estudiosa e organizada. É revisora de textos, graduada, especialista, estudante de Língua Inglesa, apaixonada por leitura, por filmes, pelo namorado, pela família e pela vida. Adora samba, pop e rock. Qual é o seu nome? Prazer, Talita Bartolomeu. 

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