por Talita Bartolomeu
O maior objetivo em falar desses dois personagens do samba é, primeiro, relembrar daquele que contribuiu para que o samba se fizesse um marco, além de musical, cultural, na história do Brasil: Noel Rosa – um dos precursores e poetas mais ilustres da MPB –; segundo, é mostrar, por meio de outra grande figura, Diogo Nogueira, que o samba bom ainda permanece vivo. Sem fazer comparações, claro, mesmo porque, com Noel Rosa, não se permitem analogias.
Noel Rosa: o grande
O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal
Do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se eu vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente, assim
Nessa prontidão sem fim
Eu vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Filosofia
Brasileiro. Sambista. Cantor. Compositor. Bandolinista. Violinista. E, claro, poeta. Um dos maiores símbolos do samba, quiçá da história da música popular brasileira – destaco que foi UM DOS maiores, pois não podemos nos esquecer de outras grandes contribuições ao samba, como Cartola e Pixinguinha, por exemplo. Compôs inúmeras músicas, solo e com amigos. Nasceu no Rio de Janeiro, no bairro Vila Isabel, em 1910.
Esse grande arquiteto do samba, como todas as grandes personalidades da música, da literatura, do cinema e do teatro, viveu pouco, mas deixou seu legado na história, que permanece vivo até hoje. Não era muito ligado aos estudos, porque gostava mesmo era de compor, de cantar, da boemia e das mulheres, dava muito valor, além disso, às coisas simples da vida, chegando a largar, até mesmo, o curso de Medicina.
Eternizado por retratar a realidade de sua época, com tom ora crítico, ora irônico, nosso grande sambista falava sobre o que quisesse e da maneira que quissesse em suas canções, tornando-se inspiração e espelho a outros artistas contemporâneos de sua época e para seus sucessores atuais, tais como Gal Costa, Chico Buarque, João Gilberto, Maria Bethânia, entre outros.
Em seu repertório, constam canções como: Conversa de botequim, Fita amarela, Com que roupa?, Filosofia, São coisas nossas, Mulato bamba, e muiiiitas outras, registrando-se um total de 259. Depois que compôs a primeira, Noel não parou mais e, daí em diante, dedicou sua vida ao samba.
Falar desse gênio, para o qual o samba deve suas maiores congratulações, é sempre um imenso prazer e uma grande honra.
Com que roupa?
Um achado no samba atual: Diogo Nogueira
Dono de uma voz belíssima, esse “menino do samba” anda fazendo o maior sucesso no meio musical; é, atualmente, umas das figuras mais marcantes do cenário sambista, relembra letras de grandes nomes, como as de seu pai, João Nogueira e, também, faz suas próprias composições, dentre as quais a mais conhecida é Samba pros poetas, além de compor enredos de escolas de samba, como a Portela.
Samba pros poetas
Não tem só uma voz belíssima, não é mulheres?
Como filho de peixe peixinho é, Diogo não teve como e nem quis escapar do mundo musical, carregando a lembrança de seu pai e trazendo o frescor da sua juventude para o samba.
Incorporando o tal “malandro”, tão prestigiado por Noel Rosa, e fazendo samba de raiz muito bem, esse menino está no caminho certo e trará contribuições significativas para nossa cultura “sambo-africana”. É isso mesmo: Brasil = mistura da raça negra e do swing do samba.
Contando com ilustríssimas presenças, como a de Chico Buarque, Alcione e Beth Carvalho, Diogo já mostrou que entende de samba e que ainda tem muito o que aprender.
Diogo Nogueira e Chico Buarque – Sou eu
Malandro?
Acho que sortudo. Cantar com um dos maiores compositores vivos da MPB é para poucos!
Diogo tem, pois, tudo para se tornar um memorável ícone da nossa música. Torçamos para que isso aconteça, já que o nosso queridíssimo ritmo, que é o mais brasileiro de todos, agradece.
Samba é um pouco de tudo: é cultura, é revelação, é arte, é realidade e é alegria. Para fechar minha estreia no Farol, vou mandar mais um sambinha, posso?
Ô coisinha tão bonitinha do pai
–
Sincera, tranquila, curiosa, preocupada, estudiosa e organizada. É revisora de textos, graduada, especialista, estudante de Língua Inglesa, apaixonada por leitura, por filmes, pelo namorado, pela família e pela vida. Adora samba, pop e rock. Qual é o seu nome? Prazer, Talita Bartolomeu.








Talitinha! Essa série de textos sobre o samba foi realmente muito bacana!
Espero que você participe sempre do Farol, viu?!
Beijinhos!
Também gostei muito, Isa! Vou participar mais vezes, com certeza!
Beijão!
Encerrou com chave de ouro, Talita! Quando virão seus próximos textos? Adorei!
Beijões!
Que bom que você gostou, Van! Então, agora vou me recompor para escrever novamente ;P hehehehe
Beijão!
Não é que não goste do novo. É que nele sempre permanece um quê de utilidade que só aquelas peças antigas de museu podem se dar ao luxo de não mais conter. É preciso sempre que o tempo dilua a utilidade das coisas para lhe atribuir aquele aspecto arqueológico de uma descoberta ou de um achado. Do contrário, parece que a consciência não consegue decantar o quê em um artista pertence ao gênio e, portanto, à humanidade, e o quê nele pertence ao mercado e portanto à desumanização do homem. Por isso só o tempo revelará o gênio, assim como o espírito e o caráter de um homem. Por isso, gostaria de sublinhar que, até poderíamos inverter a situação e colocar aqui Noel Rosa como um achado arqueológico da minha amiga Talita (parabéns pelo texto) pois Diogo Nogueira, não é um achado, mas alguém estampado na tela da nossa TV (cotidiano e mundano), enquanto que Noel Rosa, parece sim com aquelas peças de museu, inúteis para o mercado e para a desumanização do homem, de importância colossal (sideral) para o enobrecimento do espírito e da vida do homem. Parabéns pelo achado (na minha perspectiva: Noel)!
Discordo de você, Luis. Noel não é um achado, porque ele simplesmente é um dos melhores sambistas que já existiu; um gênio, completamente. Quanto ao Diogo, acredito que seja, sim, um achado, pois apesar da pouca idade e de aparecer, sim, na televisão, ele vem mostrando que aprendeu com quem, realmente, é ícone no samba, a começar pelo pai, João Nogueira (os outros também foram citados no texto). Não é, pois, por esse motivo que ele não se revelará um grande nome futuramente também, mesmo porque, o nosso grande Chico Buarque também sempre visitou as telinhas por aí.
Sem fazer publicidade para o Diogo,acredito, pois, que o tempo o revelará como um grande sambista!
Abraços.
Parabéns, adorei seus textos!Confesso que aprendi muito com eles, pois também não sabia que pagode é considerado um tipo de samba. O melhor de tudo foi saber que ainda têm jovens, como é o caso do Diogo Nogueira, contribuindo para nossa cultura, especialmente quando vivemos em uma época em que o Brasil está dominado pelo sertanejo.
Beijão!